Como está se sentindo o
PT, sem o seu maior patrimônio?
Não adianta negar, a
classe política do Brasil acreditava que o PT era o rei das ruas. E era mesmo.
O Partido que nasceu na luta organizada dos trabalhadores contra o Regime
Militar, chegou ao século XXI comandando um exército de voluntários. Estes,
cadastrados e devidamente controlados pelos Movimentos Sociais como o MST, CUT
e as centenas de sindicatos espalhados por todo país, em praticamente todas as
categorias, foi a força que elegeu Lula em 2002, embora os méritos tenha ido
para Duda Mendonça.
Esse marqueteiro,
apreciador de briga de galos, é o sujeito que marcou a separação entre o PT e
seus idealizadores, por isso deve ser considerado um bom homem. Ele mostrou o
verdadeiro Lula, que mais tarde, seria tachado de “lulinha paz e amor”. Para os
que não entendiam de marketing e eram seguidores do PT, seu líder enganava
perfeitamente a opinião pública, e logo que assumisse o poder mostraria a que
veio, Isto é, defenderia os princípios socialista-marxistas do partido no
planalto central. Enganaram-se.
Antes mesmo de assumir o
poder o Sarney foi chamado de companheiro. Mas, pensava-se, “é tudo teatro, o
Lula é nosso". Era apenas o começo, pois, em seguida, viria o Esquema
Mensalão. “Mas é pela governabilidade” - diziam os sub-líderes - como
se os fins justificassem os meios. E coube ao povo esperar. Alguns anos depois
o PT já tinha em suas cuecas um monte de desculpas para justificar seu
autoritarismo populista: “fizemos os bolsas”, “fizemos as cotas”, “fizemos o
ProUni” tiramos o povo da miséria e ainda demos casa no ‘minha casa, minha
vida’, portanto quem ousar a nos criticar é porque defende a direita e o
conservadorismo”. Ficamos calados, mas com um nó na garganta. Uma hora isso
iria explodir.
E explodiu, em junho de
2013. Por ironia, em São Paulo, exatamente onde o partido nasceu.
Agora, todo mundo sabe
que o PT não é mais o rei das ruas e, quem derruba as bandeiras deste partido
nos protestos, não é, necessariamente, conservador; primeiro porque a rua
não precisa de rei e segundo, o PT não é mais progressista. Se fosse, não
estaria usando o mesmo discurso de dez anos. Bastou a luz amarela acender,
para começarem a dizer que a direita tinha inserido sua pauta nas
manifestações.
Antes de tachar o
manifestante de direita, me diga o que é direita e o que é esquerda neste país?
É o PMDB, V6, o DEM, o
PCdoB, o PSDB? KKKK... V6 estão todos juntos, lutando pela mesma causa:
manter-se no poder descolados do povo, o verdadeiro dono. Fazem a política do
“pão e circo”, gastando dezenas de bilhões com eventos esportivos e bolsas
pobreza e ainda querem ser aplaudidos? Isto, por si só explica a vaia que a
Dilma levou no estádio de um Bi e meio, em Brasília. Parem para pensar – se
ainda forem capazes: quem v6 representam? Os mensaleiros, os sindicalistas de
escritório ou a si mesmos? Talvez, tudo isso, o que torna as vossas vidas mais
miseráveis.
Ah, e também não me chamem de fascista. A violência que ocorre nas
ruas é apenas uma reação legitima de quem é diariamente violentado por um
sistema corrupto, autoritário e por consequência, não representativo.
Além, disso, não pensem que a rua está à deriva. Ela sabe muito bem o que quer
e o que não quer. Queremos investimentos robustos na educação, na saúde,
segurança e mobilidade urbana e, não queremos corrupção. E mais uma coisinha,
não queremos que atenda a nossa pauta achando que estão fazendo um favor,
afinal v6 estão sendo muito bem pago para administrar a nossa grana. Só para
ficar claro, a grana é nossa.
E agora PT, tá puto,
porque não controla as ruas? Pode ficar. E vai ficar ainda mais quando
descobrir que não tem com quem negociar e que, em vez de uma pauta para v6 desconstruírem,
tem apenas pistas para seguirem; que, em vez de um líder para v6 corromperem, têm
milhões de líderes anônimos; e, finalmente, em vez de uma ideologia para v6
criminalizá-la, temos milhares. Essas coisas não fazem sentido para v6, não é
mesmo? Isto foi necessário. Foi necessário mudar para mudar o Brasil.
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