sexta-feira, 28 de junho de 2013

FOI PRECISO MUDAR PARA MUDAR O BRASIL

Como está se sentindo o PT, sem o seu maior patrimônio?

Não adianta negar, a classe política do Brasil acreditava que o PT era o rei das ruas. E era mesmo. O Partido que nasceu na luta organizada dos trabalhadores contra o Regime Militar, chegou ao século XXI comandando um exército de voluntários. Estes, cadastrados e devidamente controlados pelos Movimentos Sociais como o MST, CUT e as centenas de sindicatos espalhados por todo país, em praticamente todas as categorias, foi a força que elegeu Lula em 2002, embora os méritos tenha ido para Duda Mendonça.

Esse marqueteiro, apreciador de briga de galos, é o sujeito que marcou a separação entre o PT e seus idealizadores, por isso deve ser considerado um bom homem. Ele mostrou o verdadeiro Lula, que mais tarde, seria tachado de “lulinha paz e amor”. Para os que não entendiam de marketing e eram seguidores do PT, seu líder enganava perfeitamente a opinião pública, e logo que assumisse o poder mostraria a que veio, Isto é, defenderia os princípios socialista-marxistas do partido no planalto central. Enganaram-se.

Antes mesmo de assumir o poder o Sarney foi chamado de companheiro. Mas, pensava-se, “é tudo teatro, o Lula é nosso". Era apenas o começo, pois, em seguida, viria o Esquema Mensalão. “Mas é pela governabilidade”  - diziam os sub-líderes -  como se os fins justificassem os meios. E coube ao povo esperar. Alguns anos depois o PT já tinha em suas cuecas um monte de desculpas para justificar seu autoritarismo populista: “fizemos os bolsas”, “fizemos as cotas”, “fizemos o ProUni” tiramos o povo da miséria e ainda demos casa no ‘minha casa, minha vida’, portanto quem ousar a nos criticar é porque defende a direita e o conservadorismo”. Ficamos calados, mas com um nó na garganta. Uma hora isso iria explodir.

E explodiu, em junho de 2013. Por ironia, em São Paulo, exatamente onde o partido nasceu.

Agora, todo mundo sabe que o PT não é mais o rei das ruas e, quem derruba as bandeiras deste partido nos protestos, não é, necessariamente,  conservador; primeiro porque a rua não precisa de rei e segundo, o PT não é mais progressista. Se fosse, não estaria usando o mesmo discurso de dez anos. Bastou a luz amarela acender, para começarem a dizer que a direita tinha inserido sua pauta nas manifestações. 

Antes de tachar o manifestante de direita, me diga o que é direita e o que é esquerda neste país? É o PMDB,  V6, o DEM, o PCdoB, o PSDB? KKKK... V6 estão todos juntos, lutando pela mesma causa: manter-se no poder descolados do povo, o verdadeiro dono. Fazem a política do “pão e circo”, gastando dezenas de bilhões com eventos esportivos e bolsas pobreza e ainda querem ser aplaudidos? Isto, por si só explica a vaia que a Dilma levou no estádio de um Bi e meio, em Brasília. Parem para pensar – se ainda forem capazes: quem v6 representam? Os mensaleiros, os sindicalistas de escritório ou a si mesmos? Talvez, tudo isso, o que torna as vossas vidas mais miseráveis.

Ah, e também não me chamem de fascista. A violência que ocorre nas ruas é apenas uma reação legitima de quem é diariamente violentado por um sistema corrupto, autoritário e por consequência, não representativo. Além, disso, não pensem que a rua está à deriva. Ela sabe muito bem o que quer e o que não quer. Queremos investimentos robustos na educação, na saúde, segurança e mobilidade urbana e, não queremos corrupção. E mais uma coisinha, não queremos que atenda a nossa pauta achando que estão fazendo um favor, afinal v6 estão sendo muito bem pago para administrar a nossa grana. Só para ficar claro, a grana é nossa.

E agora PT, tá puto, porque não controla as ruas? Pode ficar. E vai ficar ainda mais quando descobrir que não tem com quem negociar e que, em vez de uma pauta para v6 desconstruírem, tem apenas pistas para seguirem; que, em vez de um líder para v6 corromperem, têm milhões de líderes anônimos; e, finalmente, em vez de uma ideologia para v6 criminalizá-la, temos milhares. Essas coisas não fazem sentido para v6, não é mesmo? Isto foi necessário. Foi necessário mudar para mudar o Brasil.


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