sábado, 26 de maio de 2012

IBGE Revela Miséria em Nina Rodrigues. E o Quadro Ainda Pode Ser Pior



Os indicadores sociais dos municípios, registrados pelo Censo 2010, aos poucos estão sendo disponibilizados pelo IBGE    e, como prometemos, vamos levá-los até você. 


Desta vez, os dados são sobre renda per capita domiciliar e os números são reveladores. 





Renda per capita é a média simples da renda dos habitantes de um domicílio, ou seja,  soma-se as rendas de todas as pessoas domiciliadas, depois, divide pelo total de moradores  do domicílio; o resultado é a renda per capita domiciliar. Neste caso, é mensal.


Em Nina Rodrigues foram recenseados todos os habitante de 2541 domicílios privados. Desses , 510 estão "de boa", tem renda per capita de 1 ou mais  salários mínimos. Digamos que dá para atender pelo menos três garantias da Constituição Federal no seu Art. 6º:


"São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição"


Já os outros...


Os outros estão de mal a pior. São Habitantes de exatos 2031 domicílios, ou seja, 80%. Entre estes, há 347 que as famílias não tem renda fixa (como vivem?) e, 1209, recebem até 1/4 de salário mínimo, ou seja, até R$ 156,00 em valores arredondados. 


Recentemente, o Governo Federal definiu que a família que tem uma renda per capita de até R$ 70,00 está abaixo da linha da pobreza, ou seja, são miseráveis. Dessa forma, surge a pergunta: quantas famílias miseráveis temos em nosso município, hoje?


A resposta pode ser triste, se não for vergonhosa.  Quem sabe o grande sucesso desse bloco carnavalesco, não nos traga alguma ideia da realidade...

      


                 Para quem não é daqui, liso é sinônimo de sem-dinheiro


Mas há uma contradição a ser explicada:

 porque tanta miséria em um lugar  tão rico?


Nina Rodrigues é um município Belo, de solo fértil e de um povo hospitaleiro.


Com relação aos seus irmãos maranhenses, é pequeno, tanto em extensão quanto em população. Atualmente, tem aproximadamente treze mil habitantes, e sua área é de 572, 506 Km², o que equivale a  uma densidade demográfica de 22,71 (hab./Km²).

Regado por rios e igarapés, entre eles o rio Preto e o  Munim, aqui, tudo que se planta dá. Fora, as exceções, esse povo sofre mais com as enchentes que com a falta delas. Mas inacreditavelmente não produz tudo o que consome, importa do tomate ao arroz. 


Mas porquê?


Enchente no rio Munim, 2009


Sua população é essencialmente rural, com mais de 64% dela morando no campo, e boa parte desse percentual vive em assentamentos – povoamento em terras desapropriadas pelo INCRA, isto assegura que o problema não é a falta de terra. 


Então,  o que é?


Os rios oferecem banhos espetaculares, um deles é a Praia dos Amores, visitada por turistas de todo o Estado e contemplada diariamente por quem mora aqui, mas se alguém quiser se aventurar, pode ir ao Campinho, Riachão, Barra do Munim ou sei lá, tem tantos banhos...


E nossa brava gente?


Temos um passado memorável. Em 1838 nossa Manga do Iguará foi palco de uma luta contra a opressão dos governos e a situação de miséria em que se vivia, institucionalizada pela escravidão. Muitos dos nossos antepassados morreram por essa causa na Balaiada.


Na cultura, somos destaque com diversos grupos de dança de música de artesanato entre outros. O mais conhecido é grupo de Bumba-meu-boi que leva o nome do município. O Boi de Nina Rodrigues faz arrastão por onde passa, mas, infelizmente, por aqui passa pouco, é um turista anual. O que dizem é que serve à lascívia da elite ludovicense em apresentações exclusivas para políticos e empresários. Infelizmente cedeu às pressões do capitalismo cultural. Fora isso, é lindo. Assisto sempre que posso. E toda vez me encanto. 



Dançarina do Boi de Nina Rodrigues


Mas ao que parece, nem as terras públicas, nem as riquezas histórica e natural, nem o Boi de Nina Rodrigues tem sido explorado para o desenvolvimento sustentável do município. 


Será porquê?


Porém, um morador otimista pode refutar: "mas isso não é verdade! Meu padrão de vida só tem melhorado ano após ano", e ele tem razão. Desde 2002 quando Lula assumiu o governo a distribuição de dinheiro através dos Bolsas tem aumentado vultosamente, chegando a marcas incríveis.


Veja a tabela referente ao total de famílias beneficiadas em Nina Rodrigues com os Bolsas e quanto elas receberam do Governo Federal  no exercício 2011.



 Município: Nina Rodrigues

Famílias beneficiadas
Total em R$
       1800                                  
         R$ 2.581.260,00
  

fonte: http://ww.portaldatransparencia.gov.br/



Num município em que há 2541 domicílios ocupados, não considero seguro nem inteligente 1800 famílias dependerem diretamente da boa vontade do Governo Federal. E você? 


E, só a título de curiosidade,  a prefeitura também recebeu um dinheirinho da Dilma em 2011:


R$16.777.160,60


   Deixa eu escrever pra você: Dezesseis Milhões, Setecentos e Setenta e Sete Mil e Cento e Sessenta Reais e Sessenta Centavos. (A Gestora prestou contas dessa grana pelo menos aos vereadores? Pergunte ao seu?


Isto significa que nossa economia está sendo gerada por meios insustentáveis, e que, dependendo das políticas federais poderemos regredir à "estaca zero". 

Por toda essa contradição, pelas famílias carentes, pelas nossas belezas humanas, naturais, históricas e culturais eu conclamo a todos e todas as ninenses, independente de vinculação política partidária ou  credo religioso, que, arregacemos as mangas e implantemos imediatamente um  plano sério de Desenvolvimento Sustentável e Participativo,  valorizando os sistemas produtivos capazes de conter a sangria da fuga de capital e dessa forma controlar o defict da balança comercial do município. Pois, ao contrário do slogan do Tiririca: 


pior do que tá pode ficar.




Poste seu comentário e aperte no G+1, obrigado, valeu!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Porque os ninenses merecem o Museu da Balaiada



O povoado da Vila da Manga, atual Nina Rodrigues, entrou definitivamente para a história política do Maranhão ao servir de palco para Balaiada (1838 a 1841), maior insurreição ocorrida no estado, e uma das maiores do Brasil.  Esta revolta popular teve caráter multiclassista, envolvendo fazendeiros, vaqueiros, artesãos, políticos, comerciantes e pequenos lavradores contra um exército armado "até os dentes".




Historiografia destaca como motivação da guerra as disputas entre os grupos políticos maranhenses Bem-te-vis ( Liberais, intitulado como brasileiros natos) e cabanos ( conservadores, compostos, na sua maioria, por  comerciantes de origem portuguesa). Isto é sustentado pelo fato do estopim da revolta ter sido a invasão da cadeia pública da Manga por Raimundo Gomes, vaqueiro da fazenda do padre Inácio Mendes (bem-te-vi ) para libertar seu irmão preso a mando do sub-prefeito do lugar, o cabano José Egito. E que, Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, foi o pacificador da anarquia coletiva, na qual se encontrava o Maranhão naquela época. Entretanto, essa explicação simplista e roteirizada no estilo "heróis contra bandidos" perde força no cenário historiográfico atual.






Ao analisar a insurreição, a Dra e profª da UFMA, Sandra Regina, no seu livro A Balaiada no Sertão: a pluralidade de uma revolta defende a tese de que os balaios não são nem heróis nem bandidos, são sertanejos lutando contra o desrespeito, a opressão, a exploração e a miséria. Segundo ela,  "num primeiro plano, as razões foram de ordem pessoal" referindo-se ao episódio da invasão da cadeia pública por Raimundo Gomes e do sentimento de desonra de Francisco dos Anjos, o balaio ao ter sua filha violentada por soldados. Mas, que outros líderes "engrossaram o caldo", ao longo das batalhas. Cada um com seus objetivos específicos, embora o ódio aos cabanos fosse algo em comum aos revoltosos. Por isso, a conclusão dela, é que a Balaiada teve uma composição social heterogênea, unindo, de um lado, vaqueiros, artesões, escravos fugitivos, desertores da Garda-Nacional, políticos, pequenos comerciantes, fazendeiros, etc. e de outro os governistas, representado pelos cabanos. Havia ainda no seio do Movimento, reivindicações de caráter político-institucional. Como, por exemplo, a exigência de suspensão da Lei dos Prefeitos e Subprefeitos, expulsão do presidente da província  e dos portugueses de modo geral.




O ideal de libertação era uma aspiração constante do povo maranhense naquela época ( e continua sendo). Isso se reflete na participação de mais de três mil negros, comandados por Cosme Bento das Chagas, o Negro Cosme; e no sucesso incial da campanha, que, passou vitoriosa por Chapadinha, Brejo e Caxias, chegando até São Luís pelo município de Icatu.    Entretanto, as forças do governo buscou reforços com tropas especializadas, e,  sob o comando de  Luís Alves de Lima e Silva, conseguiu, impor a "paz" através do derramamento de sangue de milhares de maranhenses, principalmente daqueles desprovidos de bens materiais. Conseguiu impor a fúnebre paz ao custo de vidas e de sonhos, muitos deles enterrados vivos em covas coletivas.

  

 Os ninenses querem saber sua história. É um direito nosso. E por isso queremos saber: Cadê o Museu da Balaiada da Manga do Iguará? Se a resposta for falta de dinheiro, sugiro que a prefeita ou seus secretários acesse: http://www.cultura.gov.br/, o governo federal tem política de financiamento de pequenos museus de até R$ 300.000,00, será se dá? Mas nao financia pra mim (que pena!) A verba só é liberada em parceria com instituições afins e prefeituras.




      Os caxienses fizeram o deles:






Não é falta de dinheiro é falta de visão. Pois, é sabido de todos que, museus vinculados a roteiros históricos e turísticos é uma fonte de renda sustentável em qualquer lugar do mundo. Então, chega de desculpa, Museu da Balaiada em Nina Rodrigues, já! Partilhe essa ideia, partilhando e comentando o blog. Pode ser?

segunda-feira, 21 de maio de 2012

A força da Nina está no campo


Os resultados do Censo 2010 estão, ao poucos, sendo disponibilizados para consultas. E agora você vai poder acompanhar, através do nosso blog, uma série de gráficos e dados sobre os aspectos populacionais e  indicadores sociais de Nina Rodrigues e Região. com esse recurso, vamos poder conhecer melhor nosso município e, dessa forma, poderemos analisar, criticar e traçar metas para alcansarmos o tão sonhado Desenvolvimento Sustentável, sem pobreza.

Sobre a distribuição da população, na fotografia do dia 31/08/2010, o IBGE informa que  mais de 60% da população da "Manga do Iguará" mora na zona Rural e somente 36% na zona urbana. veja o gráfico:

Segundo a Instituição, o município possuia , na data de referência, 12.464 habitantes e uma proporção de 51/49  de homens para mulheres, em números exatos são 6.336 homens e 6128 mulheres. O Instituto ainda estimou que em 2011 a população ninense estaria em 12.785.

Ao todo foram recenseados 2.884 domicílios particulares, mas somente em 2.486 foram realizados entrevistas, o que deu uma média de 4,9 morador por domicílio particular ocupado. Isso significa que embora a taxa de natalidade tenha caído, o número de moradores por domicilio continua alto, denunciando a necessidade habitacional do lugar.  Continue acompanhando o blog, que mais informações virão.






Sintese da História de Nina Rodrigues-Ma

História da Fundação


 

 

O antigo povoado da Vila da Manga do Iguará iniciou-se no local chamado Fortaleza, antigo ponto obrigatório de passagem de boiadas com destino ao municípios de Icatú e Morros. Manga, neste caso, não diz respeito à fruta, mas a uma estreita passagem para gado, uma espécie de corredor com paredes de varas que conduz a um rio e que serve para guiar bois.  



A Vila conquistou sua emancipação em 30 de dezembro de 1961, desmembrado de Vargem Grande, e, mesmo tendo um histórico de lutas contra as desigualdades sociais, recebeu, ironicamente, o nome do médico e antropólogo de ideologias racistas, Dr. Nina Rodrigues. Porém, o povo da Manga ainda se reconhece com o seu antigo nome.

 O município Nina Rodrigues possui, segundo o senso 2010, 12.464 pessoas dentro de uma área de 572.506 km². Localiza-se no Nordeste brasileiro e possui uma vegetação de cerrado. Embora esteja inserido geograficamente nesse bioma, é banhado por muitos rios e igarapés, entre eles, os rios Preto, Munim e Iguará,  que torna seu clima  quente e úmido propício ao desenvolvimento de florestas equatoriais deixando-o mais parecido com o clima amazônico.