segunda-feira, 22 de outubro de 2012

E Agora, Riba?



Eleito com uma votação histórica (4.401 votos), graças, em parte, à fraqueza de seu oponente, Riba do Xerém, tem nas mãos o maior desafio da vida dele: implantar um modelo de desenvolvimento sustentável em Nina Rodrigues que lhe garanta mais que uma reeleição, lhe garanta satisfação pessoal. Afinal, que outro sentido teria pra ele ser prefeito?


A maioria da população acredita que o Riba tem boa vontade para fazer um excelente governo, mas ter boa vontade não é o bastante. Em apenas quatro anos, ele terá que cumprir seu Plano de Governo, acordos políticos (muitos deles desconhecidos para nós eleitores) e ainda ressarcir seu patrimônio pessoal investido em mais de oito anos de campanha, isso tudo sem chamar a atenção da PF (infelizmente a nossa cultura política eleitoral, praticamente, obriga os candidatos que pretendem ganhar eleição, a gastar, antecipadamente, o dinheiro público, ou você acha que tudo aquilo é gratuito?)




Entretanto ele pode conseguir. Bom articulador, ele transformou um amontanhado de lideranças em um grupo político. O resultado foi uma votação estupenda e a maior diferença de votos já vista em uma eleição naquele município: 2.118 votos.




Riba do Xerém é, digamos, um novato na política; porém, tem uma biografia de sucesso, uma esposa sincera e uma capacidade extraordinária de se adaptar a situações adversas - qualidade de político profissional. Faz quatro anos, ele patrocinou a campanha do seu ex-amigo e atual adversário político, Jones Braga. E, hoje, surfa nas praias eleitorais de Iara Quaresma. É um negociador por excelência, capaz de agradar gregos e troyanos, e, como Ulisses, tem competência para construir um 'cavalo de pau'. Por essas e outras, não pense que ele ficará refém do grupo político que o elegeu. Afinal, os milhões gastos eram dele, que pelo o que se sabe, foi conseguido ao longo de anos na vida estressante do comércio.


 O município deixado pra Riba está em baixo, e tem  contradições digna de uma "Av. Brasil": uma prefeita com aprovação maior que 60% (na Zona Rural, chega a 68%) e um sistema de produção que não funciona, ( exceto, é claro, as  cerâmicas da família dela). Por outro lado, embora temos uma terra fértil cortada por rios e igarapés e 64% da população morando no campo, não produzimos nem o que consumimos; importamos, praticamente tudo, do tomate ao arroz, até a merenda escolar é comprada em outros municípios. O leitor deve está pensando,  “a culpa é do povo que é preguiçoso, depois da Bolsa do Lula não quer mais trabalhar é só fazendo menino pra receber o Salário Materno”, - tudo bem, mas isso não é uma verdade absoluta. Em município pequeno e pobre como é o nosso, o governo tem a obrigação de liderar o processo de desenvolvimento, dando condições e incentivos para que o sistema funcione.



O outro problema como já disse várias vezes, está no fato de que o dinheiro que entra no município através das “Bolsas”, da Previdência Social e do funcionalismo público, de modo geral, não gera riqueza no nosso município, isso porque não circula para fazer a economia local funcionar, pois sai do banco e fica em Vargem Grande, como de costume.

  
Sem dúvida, todos os problemas citados acima são graves, porém o  mais urgente a ser resolvido é o da saúde pública. As diversas pesquisas no período eleitoral indicavam isso. Não foi à-toa que o candidato Riba do Xerém se viu obrigado a dizer em palanque que Dr. Samuca seria o secretario de saúde de seu governo, pois o atual "tá mal das pernas" e o povo cobrava isso dele.





 Na infraestrutura/seneamento, o governo atual também não progrediu, exceto pelo asfaltamento de algumas ruas feito com a grana do Governo Jackson, em 2008, ano da reeleição. Pra você ter uma idéia, em 2000, quando o prefeito da pior administração de Nina Rodrigues, Jones Braga, estava no poder, o percentual de habitantes que tinha saneamento adequado era de apenas 2,2%, segundo o IBGE; dez anos depois, com a a terceira pior administração de Nina Rodrigues (o governo Madalena Braga ficou em segundo), o índice era pior ainda: apenas  2,1% das pessoas tinham saneamento básico adequado nas suas residências. Fala sério prefeita!


Na educação a coisa tá feia: segundo o IBGE, simplesmente, “2.165 pessoas maiores de 15 anos não sabem ler, numa população de pouco mais de doze mil - a taxa de analfabetismo chega a quase 30%. Some a tudo isso a pobreza extrema, principalmente na zona rural, onde 80% da população tem renda per capita de ¼ de salário mínimo, ou seja, pessoas estão sobrevivendo com R$ 155 reais e 50 centavos por mês, em média (mesmo com os bolsas tem gente que não ganha nem isso). Estes são dados alarmantes, tristes e desconhecidos pela grande maioria dos ninenses.  Talvez  este seja o motivo da atual administração ter 65% de aprovação.


Com tantos problemas a ser resolvidos, surge a famosa pergunta: E AGORA, RIBA?

Está preparado? Esperamos que seu governo seja inovador, participativo, progressista e sustentável. Mas que seja arriba de tudo, NOSSO! DO POVO! DE TODOS!





2 comentários:

  1. Prezado Moisés, que o sistema político brasileiro tem vícios é do conhecimento público. Combater essas mazelas é dever de todos. A primeira demonstração de má fé e de má intenção de qualquer político, é gastar o patrimônio pessoal, conquistado honestamente, em patrocínio de festas e outras insanidades objetivando cargo público. Pena que a ação da Polícia Federal, CGU etc. nem sempre chega a todas as cidades do Brasil. Em tempo: Viva o STF do Min. JOAQUIM BARBOSA e Cia., que demonstra à Nação, que lugar de ladrão de dinheiro público é na cadeia. R. COSTA

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  2. Caro Costa, concordo plenamente contigo. E sobre o nosso sistema político escrevi um artigo http://ninarodriguesmaranhao.blogspot.com.br/2012/06/historia-de-poder-e-o-futuro-politico.html que falo sobre a relação de desconfiança e desprezo entre os políticos e os eleitores.

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