Enfim preso.
Consórcio que tramou e executou o jornalista e blogueiro Décio Sá foi preso
nesta quarta feira pela operação 'Detonando' da polícia do Maranhão.
Antes tarde que nunca.
Os maranhenses, em particular, e o mundo de modo
geral, em especial o mundo jornalístico, agradece ao bom trabalho das polícias
civis e militares do Estado do Maranhão. E a todos que trabalharam para
elucidação do Caso Décio, saibam que a sociedade está aliviada.
Qual a lição?
Todo mundo sabe, mas, infelizmente, foi preciso
morrer um jornalista para provar que aqui no Maranhão se teme mais a imprensa
que a Polícia. Ou melhor, é mais seguro matar um jornalista com a ajuda de um
policial, acreditando na impunidade, que temer o Estado e suas instituições.
Até quando?
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| Suspeito de Assassinar Décio |
ENTENDA O CASO:
por Marco D’Eça
O jornalista Décio Sá foi assassinado por uma quadrilha formada pelos
agiotas Gláucio Pontes e seu pai, conhecido por Miranda, que também executaram
o “empresário” Fábio Brasil, em Teresina (PI).
A polícia também já prendeu o homem conhecido por Júnior Bolinha, que
teria sido o responsável pelo agenciamento do pistoleiro, preso na semana
passada.
Segundo as investigações, Décio entrou na mira de Gláucio quando começou
a denunciar em seu blog as ações de agiotas no Maranhão.
Como fachada para seu negócio de empréstimo, o agiota mantinha empresas
de fornecimento de material escolar e medicamentos, o que lhe gaqrantia
proteção de políticos – deputados e prefeitos – e até membros da polícia e do
Judiciário.
A morte de Fábio Brasil
A trama remete a outubro do ano passado. Naquele mês, o agiota recebeu
um pistoleiro que lhe contou ter sido contratado para executá-lo por Fábio
Brasil – ou Júnior Brasil, como era conhecido.
Motivo: Brasil lhe devia R$ 200 mil e não tinha como pagar. Como saída,
resolveu matá-lo, oferecendo R$ 100 mil ao pistoleiro. Morte de Fábio Brasil
teria levado à execução de Décio
Como não pagou o executor, o bandido procurou Gláucio, oferecendo o
serviço pelo mesmo valor.
Tudo está registrado em uma ocorrência policial investigada pela
polícia. Neste boletim, o “empresário” diz ter recusado o serviço”, mas,
segundo a polícia contou a história para que Júnior Bolinha resolvesse.
Meses depois, Fábio Brasil foi morto em praça pública, em Teresina.
Décio Sá publicou a notícia e, depois, foi informado de que o mandante seria
Gláucio. (Leia aqui a notícia da morte de Brasil) Morte de Fábio Brasil teria
levado à de Décio
Jornalistas e agiotas
Há informações de que Gláucio e Décio Sá teriam se reunido – juntamente
com outros jornalistas – ocasião em que o agiota teria dito que o autor do
crime contra Fábio Brasil seria, na verdade, Júnior Bolinha, que o estaria
chantageando para resolver o valor da execução.
Neste meio tempo – por intermédio de um homem conhecido por Buchecha,
Bolinha já havia alugado uma casa no Parque Vitória e trazido dois homens do
Pará.
A princípio, a dupla faria um sequestro do pai de Gláucio, o Miranda –
também preso hoje – como forma de pressionar o comparsa a pagar os R$ 100 mil
pela morte de Brasil.
Mas Bolinha acabou informado – provavelmente pelo próprio Gláucio – de
que Décio Sá sabia de mais e aproveitou os bandidos do Pará para executar o
jornalista antes da publicação da matéria.
Rixa antiga
Bolinha já nutria ódio mortal de Décio Sá desde 2009, quando o
jornalista publicou matéria do seu envolvimento em roubo de veículos – ele
chegou a ser preso, em operação da Polícia Federal, com um trator roubado em
sua propriedade, em Santa Inês.
Nesta mesma ocasião, Gláucio conseguiu escapar da prisão por causa da
interferência de um policial amigo, que o avisou da ação da PF.
Por conta da notícia de prisão publicada no blog de Décio, Bolinha
perdeu a bandeira da Coca-Cola, que representava em Santa Inês. Segundo as
investigações, resolveu então que “não deixaria Décio destruir sua vida mais
uma vez”, com a revelação da morte de Fábio Brasil.
Mansão no Calhau
Para matar Décio, Bolinha contou com a ajuda do próprio Gláucio na
empreitada, segundo a investigação.
A polícia descobriu que o empresário-agiota mantinha uma casa no Calhau,
a menos de 500 metros da área por onde os assassinos de Décio Sá empreenderam
fuga. A casa servia apenas de escritório particular e depósito de material
escolar.
A polícia entende que os bandidos se deslocaram para lá na noite do crime,
o que impossibilitou a captura, já que não estavam nas ruas.
Com os depoimentos de Valdêmio José da Silva e a prisão de um dos
executores, a polícia montou as últimas peças do quebra-cabeça, resultando na
prisão dos mandantes nesta manhã.
E assim, elucidou o assassinato do jornalista…

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