O povoado da Vila da Manga, atual Nina
Rodrigues, entrou definitivamente para a história política do Maranhão ao
servir de palco para Balaiada (1838 a 1841), maior insurreição ocorrida no
estado, e uma das maiores do Brasil. Esta revolta popular teve caráter
multiclassista, envolvendo fazendeiros, vaqueiros, artesãos, políticos,
comerciantes e pequenos lavradores contra um exército armado "até os
dentes".
Historiografia destaca como motivação da guerra as
disputas entre os grupos políticos maranhenses Bem-te-vis ( Liberais,
intitulado como brasileiros natos) e cabanos ( conservadores, compostos, na sua
maioria, por comerciantes de origem portuguesa). Isto é sustentado
pelo fato do estopim da revolta ter sido a invasão da cadeia pública da Manga
por Raimundo Gomes, vaqueiro da fazenda do padre Inácio Mendes (bem-te-vi )
para libertar seu irmão preso a mando do sub-prefeito do lugar, o cabano José
Egito. E que, Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, foi o pacificador
da anarquia coletiva, na qual se encontrava o Maranhão naquela
época. Entretanto, essa explicação simplista e roteirizada no estilo "heróis
contra bandidos" perde força no cenário historiográfico atual.
Ao analisar a insurreição, a Dra e profª da
UFMA, Sandra Regina, no seu livro A Balaiada no Sertão: a pluralidade de uma
revolta defende a tese de que os balaios não são nem heróis nem bandidos,
são sertanejos lutando contra o desrespeito, a opressão, a exploração e a
miséria. Segundo ela, "num primeiro plano, as razões foram de
ordem pessoal" referindo-se ao episódio da invasão da cadeia pública
por Raimundo Gomes e do sentimento de desonra de Francisco dos
Anjos, o balaio ao ter sua filha violentada por soldados. Mas,
que outros líderes "engrossaram o caldo", ao longo das batalhas.
Cada um com seus objetivos específicos, embora o ódio aos cabanos fosse algo em
comum aos revoltosos. Por isso, a conclusão dela, é que a Balaiada
teve uma composição social heterogênea, unindo, de um lado, vaqueiros,
artesões, escravos fugitivos, desertores da Garda-Nacional, políticos, pequenos
comerciantes, fazendeiros, etc. e de outro os governistas, representado pelos
cabanos. Havia ainda no seio do Movimento, reivindicações de caráter
político-institucional. Como, por exemplo, a exigência de
suspensão da Lei dos Prefeitos e Subprefeitos, expulsão do presidente da
província e dos portugueses de modo geral.
O ideal de libertação era uma aspiração
constante do povo maranhense naquela época ( e continua sendo). Isso
se reflete na participação de mais de três mil negros, comandados por
Cosme Bento das Chagas, o Negro Cosme; e no sucesso incial da campanha, que, passou
vitoriosa por Chapadinha, Brejo e Caxias, chegando até São Luís pelo
município de Icatu. Entretanto, as forças do
governo buscou reforços com tropas especializadas, e, sob o
comando de Luís Alves de Lima e Silva, conseguiu, impor a
"paz" através do derramamento de sangue de milhares
de maranhenses, principalmente daqueles desprovidos de bens
materiais. Conseguiu impor a fúnebre paz ao custo de vidas e de sonhos,
muitos deles enterrados vivos em covas coletivas.
Os ninenses querem saber sua história. É um
direito nosso. E por isso queremos saber: Cadê o Museu da Balaiada da Manga do
Iguará? Se a resposta for falta de dinheiro, sugiro que a prefeita ou seus
secretários acesse: http://www.cultura.gov.br/, o governo federal
tem política de financiamento de pequenos museus de até R$ 300.000,00, será se
dá? Mas nao financia pra mim (que pena!) A verba só é liberada em
parceria com instituições afins e prefeituras.
Os caxienses fizeram o deles:

Não é falta de dinheiro é falta de
visão. Pois, é sabido de todos que, museus vinculados a roteiros
históricos e turísticos é uma fonte de renda sustentável em qualquer lugar do
mundo. Então, chega de desculpa, Museu da Balaiada em Nina Rodrigues, já! Partilhe
essa ideia, partilhando e comentando o blog. Pode ser?



Devo dizer que foi uma agradável surpresa ter lido estas informações sobre nossa Nina.Lamento nenhum governante até hoje não ter investido em um Museu para que até mesmo os proprios filhos de Nina entendesse melhor o que foi a Balaiada.Sugiro para a Secretaria de Educação de Nina formalizar uma disciplina que ensine aos Estudantes algo tão Historico como foi a Balaiada.De muito sofrimento sim, de muito sangue sim, de muita luta guerrilhada sim, mas è uma História que jamais deveria ser tão ignorada.Aproveito para protestar sobre a sujeira do leito do rio e também sobre aquela construção bizarra que foi feita na tentativa de nos convencer que é um calçadão, enquanto que uma das caídas d'gua, cai no proprio rio deixando uma cratera enorme.Ficou o feito pelo não feito.
ResponderExcluirOlá Maria Amélia, parabéns pela sua coragem de postar seu comentário. Agradeço sua "agradável surpresa". Continue acompanhando a gente, estaremos sempre publicando o que for interessante para nossa terra e nossos conterrâneos. Valeu, um abraço!
ResponderExcluirSou uma eleitora que nem todos os políticos gostam ,depois de votar é claro.
ResponderExcluirPorque costumo fazer críticas sobre algo que vejo de errado.De elogiar, penso que quando fazem algo de bom, não fez mais do que o dever. Elogios neste caso tem que ser algo muito extraordinário e ainda não vi.