quarta-feira, 23 de maio de 2012

Porque os ninenses merecem o Museu da Balaiada



O povoado da Vila da Manga, atual Nina Rodrigues, entrou definitivamente para a história política do Maranhão ao servir de palco para Balaiada (1838 a 1841), maior insurreição ocorrida no estado, e uma das maiores do Brasil.  Esta revolta popular teve caráter multiclassista, envolvendo fazendeiros, vaqueiros, artesãos, políticos, comerciantes e pequenos lavradores contra um exército armado "até os dentes".




Historiografia destaca como motivação da guerra as disputas entre os grupos políticos maranhenses Bem-te-vis ( Liberais, intitulado como brasileiros natos) e cabanos ( conservadores, compostos, na sua maioria, por  comerciantes de origem portuguesa). Isto é sustentado pelo fato do estopim da revolta ter sido a invasão da cadeia pública da Manga por Raimundo Gomes, vaqueiro da fazenda do padre Inácio Mendes (bem-te-vi ) para libertar seu irmão preso a mando do sub-prefeito do lugar, o cabano José Egito. E que, Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias, foi o pacificador da anarquia coletiva, na qual se encontrava o Maranhão naquela época. Entretanto, essa explicação simplista e roteirizada no estilo "heróis contra bandidos" perde força no cenário historiográfico atual.






Ao analisar a insurreição, a Dra e profª da UFMA, Sandra Regina, no seu livro A Balaiada no Sertão: a pluralidade de uma revolta defende a tese de que os balaios não são nem heróis nem bandidos, são sertanejos lutando contra o desrespeito, a opressão, a exploração e a miséria. Segundo ela,  "num primeiro plano, as razões foram de ordem pessoal" referindo-se ao episódio da invasão da cadeia pública por Raimundo Gomes e do sentimento de desonra de Francisco dos Anjos, o balaio ao ter sua filha violentada por soldados. Mas, que outros líderes "engrossaram o caldo", ao longo das batalhas. Cada um com seus objetivos específicos, embora o ódio aos cabanos fosse algo em comum aos revoltosos. Por isso, a conclusão dela, é que a Balaiada teve uma composição social heterogênea, unindo, de um lado, vaqueiros, artesões, escravos fugitivos, desertores da Garda-Nacional, políticos, pequenos comerciantes, fazendeiros, etc. e de outro os governistas, representado pelos cabanos. Havia ainda no seio do Movimento, reivindicações de caráter político-institucional. Como, por exemplo, a exigência de suspensão da Lei dos Prefeitos e Subprefeitos, expulsão do presidente da província  e dos portugueses de modo geral.




O ideal de libertação era uma aspiração constante do povo maranhense naquela época ( e continua sendo). Isso se reflete na participação de mais de três mil negros, comandados por Cosme Bento das Chagas, o Negro Cosme; e no sucesso incial da campanha, que, passou vitoriosa por Chapadinha, Brejo e Caxias, chegando até São Luís pelo município de Icatu.    Entretanto, as forças do governo buscou reforços com tropas especializadas, e,  sob o comando de  Luís Alves de Lima e Silva, conseguiu, impor a "paz" através do derramamento de sangue de milhares de maranhenses, principalmente daqueles desprovidos de bens materiais. Conseguiu impor a fúnebre paz ao custo de vidas e de sonhos, muitos deles enterrados vivos em covas coletivas.

  

 Os ninenses querem saber sua história. É um direito nosso. E por isso queremos saber: Cadê o Museu da Balaiada da Manga do Iguará? Se a resposta for falta de dinheiro, sugiro que a prefeita ou seus secretários acesse: http://www.cultura.gov.br/, o governo federal tem política de financiamento de pequenos museus de até R$ 300.000,00, será se dá? Mas nao financia pra mim (que pena!) A verba só é liberada em parceria com instituições afins e prefeituras.




      Os caxienses fizeram o deles:






Não é falta de dinheiro é falta de visão. Pois, é sabido de todos que, museus vinculados a roteiros históricos e turísticos é uma fonte de renda sustentável em qualquer lugar do mundo. Então, chega de desculpa, Museu da Balaiada em Nina Rodrigues, já! Partilhe essa ideia, partilhando e comentando o blog. Pode ser?

3 comentários:

  1. Devo dizer que foi uma agradável surpresa ter lido estas informações sobre nossa Nina.Lamento nenhum governante até hoje não ter investido em um Museu para que até mesmo os proprios filhos de Nina entendesse melhor o que foi a Balaiada.Sugiro para a Secretaria de Educação de Nina formalizar uma disciplina que ensine aos Estudantes algo tão Historico como foi a Balaiada.De muito sofrimento sim, de muito sangue sim, de muita luta guerrilhada sim, mas è uma História que jamais deveria ser tão ignorada.Aproveito para protestar sobre a sujeira do leito do rio e também sobre aquela construção bizarra que foi feita na tentativa de nos convencer que é um calçadão, enquanto que uma das caídas d'gua, cai no proprio rio deixando uma cratera enorme.Ficou o feito pelo não feito.

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  2. Olá Maria Amélia, parabéns pela sua coragem de postar seu comentário. Agradeço sua "agradável surpresa". Continue acompanhando a gente, estaremos sempre publicando o que for interessante para nossa terra e nossos conterrâneos. Valeu, um abraço!

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  3. Sou uma eleitora que nem todos os políticos gostam ,depois de votar é claro.
    Porque costumo fazer críticas sobre algo que vejo de errado.De elogiar, penso que quando fazem algo de bom, não fez mais do que o dever. Elogios neste caso tem que ser algo muito extraordinário e ainda não vi.

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